Programa DESEMPENHO MÁXIMO

O Programa +Leite Pasto, foi desenvolvido para aqueles produtores com sistema produtivo baseado em pastagens, no qual visa melhorar a eficiência reprodutiva do rebanho e consequentemente aumentar o número de lactações de uma vaca durante sua vida produtiva.

A formação de uma matriz produtiva é iniciada dentro do útero de sua mãe, portanto a vaca deve receber todos os nutrientes essenciais como água, fibra, energia, proteína, vitaminas e minerais, sendo este último, essencial para a vida produtiva e indispensável na dieta, pois não são produzidos pelo próprio organismo. Os minerais estão relacionados com o estabelecimento e manutenção da gestação e com todo o desenvolvimento fetal. Quadros de deficiência mineral na matriz, podem comprometer o parto, a qualidade do colostro e do leite produzido.

Quando os bezerros são bem nutridos durante a vida intra-uterina, estes tendem a nascer com peso próximo a 7% do peso vivo de suas mães. Nos primeiros momentos de vida, devem ingerir o colostro, uma vez que devido ao tipo de placenta existente nos bovinos, não há a transferência de anticorpos via placentária e, como os bezerros ainda não tem um sistema imunológico capaz de combater os microrganismos patogênicos, a única maneira de defenderem-se é através da ingestão de anticorpos colostrais. Mas, a capacidade máxima de absorção de anticorpos, ocorre somente até 6 horas pós nascimento, sendo após este tempo diminuídas, chegando a zero após 24 horas de nascimento.

A base alimentar de bezerros recém-nascidos é o leite, sendo seu trato digestório preparado para a ingestão deste alimento. Desta forma, é importante que este alimento seja fornecido na proporção de 10 a 12% do seu peso vivo, mas é importante que o produtor se lembre que este é um alimento limitado quanto a nutrientes. Assim, é importante que já no início da vida, seja complementada a dieta destes animais com minerais, nutrientes em baixa concentração no leite e muito requeridos pelos bezerros para seu pleno desenvolvimento.

Esta fase também é transitória para o trato digestório dos bezerros, onde devemos estimular o desenvolvimento ruminal, órgão antes sem função devido a base alimentar ser o leite, a partir do fornecimento de alimentos sólidos e grosseiros. Estes alimentos sólidos, auxiliam no crescimento e desenvolvimento ruminal, tornando então este bezerro um animal ruminante.

Os suplementos minerais para esta categoria animal, além de fornecer minerais, também devem servir de fontes para aditivos alimentares (como MOS, ß-glucanas e lasalocida sódica) que visam manter a saúde intestinal dos bezerros, órgão extremamente importante para a absorção de nutrientes. O objetivo nesta fase de vida é favorecer com que os bezerros cheguem aos 60 dias de vida com aproximadamente o dobro do peso que tinham quando nasceram. Uma forma simples de avaliar se a criação das bezerras está sendo eficiente é verificar o estado geral dos animais, o índice de mortalidade, que deve ser inferior a 5% e a morbidade (número de bezerros doentes), que deve ser inferior a 10%. Alcançado este objetivo e havendo bezerros com peso adequado e em bom aspecto físico, o caminho para o sucesso está traçado.

A fase de recria (da desmama até o parto de novilhas leiteiras) é uma das etapas determinantes para o sucesso da atividade. A taxa de crescimento e ganho de peso afetarão diretamente a puberdade, idade de cobertura, idade ao primeiro parto, lactação e a reprodução. Para se obter sucesso nesta fase, é fundamental o estabelecimento de metas (peso à primeira inseminação ou à primeira cobertura e idade ao primeiro parto) que devem ser utilizadas para acompanhar e facilitar a tomada de decisões, inclusive de ordem econômica. A puberdade é definida como o momento em que a novilha tem sua primeira ovulação, ou seja, o primeiro cio. Depois da primeira ovulação, a novilha deve começar a ter períodos férteis contínuos, tipicamente a cada 21 dias. A idade em que novilhas têm seu primeiro cio ou alcançam a puberdade está fortemente relacionada com seu peso vivo e determina quando a novilha irá parir pela primeira vez. Assim, o atraso no início da puberdade, resultará em atraso na idade ao primeiro parto, aumentando o custo final da novilha.

Geralmente uma novilha deverá alcançar a puberdade entre o 9º e 11º meses de idade, quando estiver com peso vivo entre 40 a 50% de seu peso corporal adulto. Entretanto, estes parâmetros podem variar amplamente, tanto dentro de uma mesma raça e também entre raças. A cobertura deve começar entre os 14 e 15 meses de idade, com aproximadamente 70% do peso corporal adulto, para parirem aos 23 ou 24 meses com peso adequado.

Dos 3 meses de idade até a puberdade, ocorre um período crítico, quando o excesso na alimentação pode resultar em um efeito prejudicial ao desenvolvimento da glândula mamária, pois resulta em substituição do tecido secretor de leite (parênquima mamário) no úbere por tecido adiposo, resultando em menor produção de leite à primeira lactação. Assim, o ganho de peso diário deve ser limitado para não exceder 0,8 kg por dia durante o 3º e 11º meses de idade.

Por outro lado, a carência nutricional (incluindo de macro e microminerais) por longos períodos também é prejudicial, retardando a idade à puberdade, diminuindo a frequência e duração do estro, aumentando a incidência de partos distócicos e reduzindo a lactação subsequente. Daí a importância do uso de dietas balanceadas e de suplementos minerais específicos nesta fase.

Ao parto, estas fêmeas devem estar em boa condição corporal, sendo o escore ideal de 3,5 a 4,0 (numa escala de 1 a 5). Aquelas parindo abaixo do peso ideal apresentam normalmente, dificuldades ao parto, nascimento de bezerros leves e/ou com defeitos físicos, menor quantidade e qualidade do colostro, período de serviço mais longo e menor produção de leite durante a lactação. Aquelas que parem obesas, além do aspecto antieconômico, apresentam maiores dificuldades no momento do parto e maior incidência de doenças metabólicas.

Após o parto, as novilhas vão exigir nutrientes para a produção de leite, mantença, crescimento e para voltarem à atividade reprodutiva. Vacas de primeira lactação mal alimentadas, principalmente nos dois primeiros meses pós-parto, têm sua produção de leite reduzida, o que pode acarretar em erro ao se realizar descartes, além de apresentarem um período de serviço maior.

No período pré-parto, as multíparas devem ser "secas" (ter a lactação interrompida) e conduzidas ao pasto maternidade, 30 a 60 dias antes da data prevista para o parto. Isto possibilitará o descanso da glândula mamária, produção de colostro de alta qualidade e maior produção de leite na lactação seguinte. Portanto, existe a necessidade de haver um lote de pré-parto no rebanho, no qual a dieta deverá ser ajustada para esta fase. Principalmente para vacas com alta produção de leite, o uso de um suplemento mineral de pré-parto durante os 30 dias finais de gestação é muito importante, pois tem por objetivo fornecer os minerais em quantidades adequadas para repor as reservas utilizadas durante a lactação e fim da gestação, formação de colostro de qualidade e nutrição do feto na sua fase de maior crescimento. Além disso, os minerais serão importantes para a lactação que será iniciada e também para prevenir a incidência de mastites, metrites, retenção de placenta e hipocalcemia puerperal (febre do leite); estando diretamente relacionado com o período de serviço, pois vacas com deficiência de minerais no pós-parto invariavelmente tardam a emprenhar, sendo que o ideal é emprenhar a vaca até no máximo 90 dias pós-parto.

Durante o período de lactação, a exigência nutricional da vaca não é constante. Na fase inicial os nutrientes são destinados para o período de puerpério (eliminação dos anexos fetais, involução uterina, regulação hormonal e preparação do útero para uma nova gestação). O pico de produção irá consumir boa parte das reservas nutricionais da matriz, portanto a nutrição adotada nesta fase será crucial para uma nova concepção, além de garantir o correto funcionamento do sistema imunológico. Como consequência a saúde da glândula mamária e a qualidade do leite são reflexos do status nutricional neste período.

Além dos macrominerais, o uso de suplementos ricos em microminerais é essencial. Deficiências nutricionais durante o início da lactação resulta em período de serviço mais longo, ou seja, a fêmea demora mais dias para emprenhar, aumentando o intervalo entre partos. Casos de mastite (clínica ou subclínica) podem ser originados neste período, já que é uma fase estressante para a matriz e também para o seu sistema imunológico.

Já no terço médio de lactação, os nutrientes ingeridos servem para recompor as reservas orgânicas, manter a produção de leite com qualidade e também para a nutrição fetal. Por fim, no terço final da lactação e da gestação, a suplementação nutricional proporciona adequado crescimento fetal (fase de maior crescimento durante toda a gestação), preparação da glândula mamária para a próxima lactação e reservas para a formação de colostro e também para o correto funcionamento do sistema reprodutivo.

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